terça-feira, 12 de maio de 2015

'Cinquenta tons de cinza' e seu impacto na maturidade dos adolescentes

Foto: Débora Rangel


Desde a sua estreia, o romance erótico "Cinquenta Tons de Cinza" se manteve em primeiro lugar entre os mais vendidos do mundo, atingindo, em fevereiro desse ano, a marca de US$ 158 milhões em faturamento em bilheteria global, excluindo os EUA, informou a Universal Pictures. O Brasil foi um dos países no qual o filme mais lucrou, com US$ 8,9 milhões.

O longa metragem que foi baseado no livro homônimo de E. L. James traz a romance da jovem e inocente Anastasia Steele com o milionário e sedutor Christian Grey, adepto de práticas sadomasoquistas. No decorrer do filme, Anastasia se apaixona por Christian que não se interessa em relacionamentos sérios e sim em um “compromisso de contrato”, no qual a garota precisa aceitar ser totalmente submissa a ele, aceitando a participar de suas práticas. Ela, que ainda era virgem, aceita por estar apaixonada pelo milionário e a partir daí o longa passa a mostrar cenas de sexo, nudez e o próprio sadomasoquismo.

A Psicóloga Juliana da Silva, explica que o filme pode afetar no comportamento dos adolescentes que decidirem assistir ao longa “Eu acredito que sim, pelo fato que expor a sexualidade quase que explicitamente de um casal, isso faz com que os adolescentes que estão em uma fase mudança de criança para adolescente e nessa fase envolve muitas descobertas, envolvendo curiosidades e demonstração de maturidade, tentem/queiram ter a maturidade e domínio que o homem do filme demonstra ter diante do fato.”, disse.

Um dos temas mais discutido durante o período em que o filme estava nos cinemas foi em relação à classificação indicativa, enquanto países como a Malásia resolveram banir por conter pornografia e nos Estados Unidos ter classificação R, que significa que menores de 17 anos desacompanhados de um adulto responsável, no Brasil, o longa foi classificado pelo Ministério da Justiça como não recomendado para menores de 16 anos.

Já na França, foi permitido para maiores de 12 anos por ser considerado um romance “água com açúcar”. O limite é menor do que nos países vizinhos, como a Inglaterra, onde o filme é proibido para menores de 18 anos, e na Bélgica, onde a idade mínima é igual a do Brasil, de 16 anos.

Juliana ressalta que é preciso ter cuidado quando o assunto é a classificação do conteúdo a ser visto “Pode influenciar no surgimento da vida sexual antecipadamente e ser tratado como banal algo que tem que ser abordado de uma forma menos “agressiva” como é proposto no filme.’, ressaltou.

De qualquer maneira, apesar do alvoroço provocado por “50 tons de cinza”, muito ainda está por vir, o tema sexualidade ainda será um paradigma durante muito tempo dentro da sociedade por haver opiniões distintas como explica Juliana “Proibir assistir não vejo como a melhor forma de “esconder” o fato, mais abordar o assunto, como os pais abordam qualquer outro assunto, aproveitar principalmente, que o tema do filme está em alta, para que seja tratado com naturalidade, não havendo constrangimento de nenhuma das partes. Quando se negligencia abordar o assunto, é sabido que o assunto é abordado em uma roda de amigos na qual poderá ter opiniões diversas e influencias que não condiz com a realidade e com o que os pais queiram que seja transcorrido”, finaliza. 

Apesar de todas as classificações, o filme é assistido, atualmente, por milhões de adolescentes que estão passando pela construção da maturidade onde, em uma roda de amigos, o tema é abordado com de diferentes ângulos e poderão surgir opiniões diversas, mas o importante é que haja um acompanhamento para que não aconteça um conflito de personalidade ou dúvidas sobre o assunto.






Débora Rangel

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